Pazuzu: Além do Exorcista – A Verdadeira História do Rei dos Demônios do Vento
Quem foi Pazuzu? Explore as origens mesopotâmicas, o papel como protetor contra Lamashtu e por que o cinema mudou nossa percepção sobre este deus-demônio.
publicado em: 03/02/2026Você já teve aquela sensação de que conhece alguém, mas, ao conversar de verdade, percebe que a pessoa é o oposto do que dizem por aí? Minha relação com Pazuzu foi exatamente assim. Durante anos, minha única referência era o rosto assustador e as sombras do filme O Exorcista. Mas, quando decidi mergulhar na arqueologia mesopotâmica para entender as raízes do medo humano, descobri que Pazuzu não é apenas um "vilão de Hollywood". Ele é uma entidade complexa, um guarda-costas espiritual e uma peça fundamental para entender como nossos ancestrais lidavam com o caos.
⚡ Resumo em 30 segundos
Quem é: Um deus-demônio da mitologia mesopotâmica (Assíria e Babilônia), filho de Hanpa.
Poderes: Rei dos demônios do vento, ele controla os ventos do sudoeste, que traziam tempestades e doenças.
Paradoxo: Apesar de sua aparência aterrorizante, ele era usado como um amuleto de proteção contra a demônia Lamashtu.
Cultura Pop: Ficou mundialmente famoso como a entidade que possui Regan MacNeil no filme O Exorcista.
Quem é Pazuzu? A anatomia de um deus do vento
Se você encontrasse Pazuzu em uma esquina escura de Nínive há 3.000 anos, o susto seria garantido. Ele não é o que chamamos de "bonito" nos padrões modernos. Imagine um ser com corpo de homem, mas coberto por escamas. A cabeça mistura traços de leão e cachorro, com olhos saltados que parecem enxergar através da alma.
Para completar o visual, ele possui garras de águia nos pés, mãos que terminam em unhas afiadas e uma cauda de escorpião. Ah, e não podemos esquecer das quatro asas. Na iconografia antiga, o número de asas indicava a hierarquia e o poder de uma divindade sobre os ventos. Pazuzu não era qualquer um; ele era o Rei dos Demônios do Vento, especificamente os ventos que sopravam do sudoeste.
Esses ventos não eram brincadeira. Na antiga Mesopotâmia, eles traziam febres, pragas e tempestades de areia que destruíam colheitas. Por isso, Pazuzu era temido. Mas, como aprendi estudando os tabletes de argila daquela época, o medo e o respeito andavam de mãos dadas.
A Dualidade Necessária: Protetor ou Destruidor?
Aqui entra a parte que eu mais gosto de explicar. Para nós, ocidentais modernos, algo é "bom" ou "mau". Para os assírios e babilônios, a coisa era mais cinzenta. Pazuzu é o que os historiadores chamam de figura apotropaica. Essa palavra chique significa algo que "afasta o mal".
Pense nele como um cão de guarda feroz. Ele é perigoso? Com certeza. Mas, se ele estiver do seu lado da grade, ele protege a sua casa contra invasores ainda piores. Pazuzu era invocado para lutar contra outras forças malignas. Ele era o único capaz de peitar demônios menores e manter a ordem no caos espiritual.
💡 O que eu aprendi na prática
Ao analisar réplicas de amuletos e textos antigos, percebi um insight que não está nos livros didáticos comuns: a proteção antiga não vinha da "luz", mas da autoridade sobre as trevas. Na prática, os mesopotâmicos acreditavam que, para expulsar um demônio, você precisava de um demônio ainda mais forte e autoritário. Pazuzu era o "xerife" do submundo. Se você quer segurança em um bairro perigoso, você não chama um poeta; você chama alguém que o bairro respeite (ou tema).
O Embate Milenar: Pazuzu vs. Lamashtu
Se Pazuzu era o xerife, quem era o fora da lei? O nome dela é Lamashtu. Ela era uma entidade terrível que atacava grávidas e recém-nascidos. Para os antigos, a mortalidade infantil era uma dor constante, e Lamashtu era a explicação mística para essa tragédia.
É aqui que a figura de Pazuzu se torna quase heróica. As mulheres grávidas usavam pingentes com o rosto de Pazuzu no pescoço. Elas colocavam estatuetas dele acima das portas de seus quartos. Por quê? Porque Pazuzu e Lamashtu eram rivais ferrenhos.
Diz a lenda que ele era o único capaz de forçá-la a voltar para o submundo. Ver o rosto de Pazuzu era, para Lamashtu, um sinal de "aqui não". É fascinante pensar que esse ser, que hoje associamos ao puro terror, já foi o maior símbolo de esperança para uma mãe assíria protegendo seu bebê.

De Nínive a Hollywood: O impacto cultural de "O Exorcista"
A grande virada na imagem de Pazuzu aconteceu em 1971, com o livro de William Peter Blatty, e depois em 1973, com o filme de William Friedkin. Ao escolher Pazuzu como o antagonista de O Exorcista, Hollywood fez algo curioso: ela "cristianizou" um demônio pagão.
No filme, Pazuzu é tratado como um servo de Satã, uma entidade puramente maligna que busca destruir a fé e a inocência. Na mitologia original, Pazuzu não tinha ligação com o conceito cristão de Diabo, até porque ele veio milhares de anos antes dessa estrutura teológica existir.
Essa mudança de percepção é um exemplo clássico de como a cultura pop pode reescrever milênios de história em apenas duas horas de tela. Hoje, se você buscar "Pazuzu" no Google, as primeiras imagens serão da estátua sombria do filme, e não do amuleto de proteção do Louvre.
Onde encontrar Pazuzu hoje? (Arqueologia e Museus)
Se você quiser ver Pazuzu "ao vivo", o melhor lugar é o Museu do Louvre, em Paris. Lá reside a estatueta de bronze mais famosa dele, datada do século VII a.C. Ela é pequena, mas incrivelmente detalhada, com uma argola no topo da cabeça que prova que ela era usada como um pingente ou pendurada em algum lugar.
Outros exemplares podem ser encontrados no Museu Britânico, em Londres, e em escavações recentes no território que hoje é o Iraque. Cada peça recuperada nos ajuda a entender que Pazuzu era onipresente na vida cotidiana mesopotâmica. Ele não estava escondido em cavernas; ele estava nas casas, nos pescoços das pessoas e nas portas das cidades.
Como a Ciência e a História explicam os "Ventos de Pazuzu"
No meu trabalho de pesquisa, sempre busco a ponte entre o mito e a realidade física. Por que um demônio do vento?
A Mesopotâmia (atual Iraque) sofria com ventos secos vindos do deserto que traziam poeira e microrganismos, causando surtos de doenças respiratórias e febres. Sem o conhecimento da microbiologia, os antigos personificavam esses males. Pazuzu era a explicação para a pneumonia e para a malária. Dar um nome e uma forma ao que nos mata é uma maneira de tentar controlar o incontrolável. Se a doença é um demônio, eu posso tentar negociar com ele ou usar um amuleto para espantá-lo.
🧐 Curiosidades que poucos conhecem
Gorillaz: O líder da banda virtual, Murdoc Niccals, tem uma estátua de Pazuzu em sua casa (e ela aparece em vários videoclipes).
Marvel Comics: Pazuzu já apareceu nas histórias do Motoqueiro Fantasma, mantendo sua aura de entidade poderosa.
Futurama: Sim, até na comédia futurista ele dá as caras como o "pet" de gargula do Professor Farnsworth.
Pai de Pazuzu: O nome do seu pai é Hanpa, mas pouco se sabe sobre ele, o que torna Pazuzu uma figura que "superou" a linhagem.
Pazuzu: O respeito pelo antigo
Escrever sobre Pazuzu é um exercício de humildade. Ele nos lembra que o que hoje chamamos de "curiosidade" ou "terror" já foi a base da segurança espiritual de civilizações inteiras. Ele não é apenas um monstro de filme; é um símbolo da luta humana contra as forças da natureza e o medo do desconhecido.
Ao olhar para uma imagem dele, tente não ver apenas os chifres e as presas. Tente ver o amuleto no pescoço de uma mãe que só queria que seu filho dormisse em paz. Isso muda tudo, não muda?
FAQ: Perguntas Frequentes
1. Pazuzu é um demônio real? Dentro do contexto da mitologia mesopotâmica, sim, ele era considerado uma entidade real e ativa. Hoje, ele é estudado como uma figura mitológica e arqueológica.
2. Qual a diferença entre Pazuzu e o Diabo? Pazuzu pertence à mitologia politeísta da Mesopotâmia e tem funções de proteção e destruição. O Diabo é um conceito das religiões abraâmicas (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo) que representa o mal absoluto e a rebelião contra Deus.
3. Por que Pazuzu foi escolhido para o filme O Exorcista? William Peter Blatty se inspirou em escavações reais no Iraque. A aparência grotesca e a natureza "demoníaca" de Pazuzu encaixavam perfeitamente na atmosfera de terror que ele queria criar, além de dar uma profundidade histórica ao mal retratado.
E você? Já conhecia esse lado "protetor" do Pazuzu ou só se lembrava dele pelos sustos do cinema?
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Editor do Focalizando
Jornalista e graduado em Publicidade, fiz da internet o meu país. Nas minhas redes sociais (@thiagobotafogo) não coloco ninguém em vacilo e produzo conteúdo sobre vida adulta, viagens, séries, filmes, tv, Biriba (meu cachorro) e Botafogo. Ah, e adoro reclamar. Se a vida me cobrasse para reclamar, eu pagaria o dobro!

